segunda-feira, junho 26, 2006

De volta à (a)normalidade

Há temas que parecem ser mais tabu que os próprios tabus... há temas que toda a gente parece querer evitar com receio de ser mal interpretado ou simplesmente gratuitamente injuriado. Pois bem, eu vou quebrar essa barreira falando sobre um desses temas. De qualquer maneira já sou mal interpretado tantas vezes, que mais uma, menos uma... não vai fazer grande diferença. Depois têm a caixa de comentários para deixarem toda a especie de impropérios e insultos que bem entenderem.


"The Birth", pintado por Paul Gaugin em 1896

Há que diga que o acto de cometer suicidio é um acto de cobardia para com a vida, o sinal grotesco de fraqueza por excelencia.
Não podia estar em maior desacordo. É sim, a meu ver, um acto de extrema coragem, quiçá até transcendental. Quantas pessoas teriam, num caso extremo (porque o são, sempre) coragem para cometer tal acto? Quantas não seriam vencidas pelo medo do desconhecido, daquilo que haverá (ou não) após o vim desta passagem pela vide terrena... será que há alguma coisa, será um vazio completo, será um céu/inferno que nos espera? Que aventura requererá maior coragem que isso? Esse sim, é o maior salto no desconhecido, no inesperado que qualquer ser poderá alguma vez dar. É largar tudo o que se foi juntando ao longo dos anos sem saber o que nos espera do lado de lá.
Há também quem diga que são acessos de loucura que leva alguém a fazê-lo. Talvez, ou talvez sejam simplesmente acessos de lucidez extrema. No mundo actual em que vivemos não tenho muito dificuldade em acreditar mais na segunda hipótese.

Tal ideia nunca me passou pela cabeça... mas de certeza nunca teria coragem ou “loucura/lucidez” suficientes. Falta-me para tanta outras coisas que são mais importantes para mim, quanto mais...

Mas, por vezes, viver é em si um acto de coragem. O lutar dia após dia contra as adversidades constantes da vida, e levantar-se novamente a cada rasteira que nos é pregada, quer seja por nós próprios ou por outra pessoa qualquer... ou simplesmente pelo mundo. Basta lembrar que nem toda a gente é afortunada o suficiente para ter uma ou duas refeições dignas, por dia. Ou não ter um tecto onde se abrigar, à noite. Ou não ter um amigo a quem estender a mão, em caso de necessidade, ou simplesmente um ombro onde possa chorar sem ter de dizer nada. E continuar no dia seguinte, lutando com as forças que se consegue juntar contra um mundo que nos empurra para debaixo da terra e onde seria tão fácil desistir... se a vida não fosse uma dádiva unica no mundo.

Acho que a palavra “dar” nunca foi tão maltratada como é na sociedade de hoje em dia... e penso comigo mesmo “nunca dei nada pessoalmente a ninguém, algo que fizesse a diferença para essa pessoa”. Nunca fiz a diferença, para quem quer que seja...

Está aberto, a partir de agora, o espaço para o insulto gratuito na caixa de comentários. Sim, escrevi o que penso. E estou pronto a pagar o preço por isso. Já que não o faço em relação a tantas outras coisas, pelo menos faço sobre isto... para poderem dizer que é parvoíce ou estupidez minha.




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