Quarta-feira, Dezembro 23, 2009
Sábado, Dezembro 19, 2009
Uma comédia
Sei que isto tem estado um pouco ao abandono. A explicação não poderia ser mais simples. Não há musas, de momento. E quando assim é, os dias passam sem que nada se passe, sem que grande coisa pese na mente e sem que se tente pensar demasiado nisso.
E o certo é que nos últimos dois meses as coisas até têm corrido a um ritmo razoável. Talvez as pessoas perto de mim tenham notado uma melhoria no meu humor… e vai daí, quem sabe talvez não. Não faz mal.
“O que tornou tal coisa possível?”, pergunta uma imagem projectada no espelho à minha frente.
Curiosamente (ou não), a partida da última musa é a resposta para essa questão.
Eu próprio, nos dias que antecederam a sua partida, desconfiava que tal viesse a acontecer. Também sabia que não seria imediato, mas ao fim de poucos dias saiu-me de cima dos ombros o pensamento de que lhe devia alguma coisa – neste caso, algumas palavras.
Mas não. Nunca lhe devi nada. Nunca lhe devi qualquer gesto ou palavra. Se fiquei a dever alguma coisa a alguém, foi a mim. Fiquei a dever-me as palavras que devia ter dito a ela, e que me atormentaram sem cessar, durante tantos meses em que a via quase todos os dias.
Agora… agora ela já cá não está. E esse peso na consciência diminuiu consideravelmente. E o sorriso já não custa tanto a fingir.
Mudam-se os tempos, mas as vontades…? Essas hão-de ficar para sempre. Apenas se tornam mais fáceis de esquecer ou evitar.
E neste momento sinto-me como o mais pequeno envelope dentro de uma tômbola gigante. Aquele envelope que, a cada volta que a tômbola dá, se limita a andar às voltas bem junto do centro da tômbola, sem nunca sequer se chegar perto da porta por onde sai o prémio grande… às voltas e mais voltas, sem nunca ser o premiado.
Não tenho pressa, mas também já conheço-me o suficiente para desconfiar que este bom humor tem os dias contados, e o seu fim não deverá estar muito longe.
Já disse que tem chovido, lá fora? É sexta à noite e eu não queria estar aqui. Preferia estar a aproveitar estes últimos tempos de bom humor, enquanto duram… tempos de bom humor, com ou sem chuva.
nota 1 - A imagem é um quadro de Jean-Marc Nattier: dedicado a Thalia, a musa da comédia.
nota 2 - o sistema de comentários que tenho aqui implementado vai passar a ser pago... parece que eles dão a hipotese de se exportar os comentários já existentes para outros sistemas de comentários, mas estou com um muito mau pressentimento de que os vou perder... bem espero que não. :(
Sexta-feira, Dezembro 11, 2009
Come again?
Estava um reformado sentado num banco de jardim a ler o jornal. Entretanto chega-se um amigo dele e senta-se a seu lado.
Reformado - Olha, a taxa Euribor voltou a descer quatro degraus de um lance de escada...
Amigo - Eu sei, já li o jornal... na ultima página vem a dizer que o Hortênsio Felismino casou secretamente com a Eufigénia Hermengarda.
Num rompante o reformado fecha o jornal, dobra-o e atira-o com violência para cima do banco de jardim, enquanto solta um sonoro "Muito obrigadinho, sim!".
Amigo - Então, que foi? Que é que eu fiz? Mas... o que é que eu fiz???
Reformado - Já não quero saber do jornal, já contaste o fim!!
Sábado, Novembro 14, 2009
Ruas proibidas
Sem que eu desse por isso, algumas ruas desta cidade foram ganhando um sabor e uma cor diferentes.
Curioso que só tenha reparado nisso agora... talvez por desta vez o choque ter sido mais forte que o das outras ruas que me abandonaram.
Percorro normalmente qualquer sitio desta cidade - seja ele conhecido ou desconhecido de mim - mas quando passo por uma dessas ruas e vejo a entrada de um certo edificio ou começo a vislumbrar uma certa janela lá mais à frente, esta cidade – que sempre foi e sempre será a minha cidade - parece que se tornou demasiado pequena para eu lhe conseguir encontrar ar que respire... diria que se tornou numa infima, insignificante e irrisoria caixa de vidro onde não sou mais que um gigante a tentar fazer de contorcionista, em busca de uma restea de ar que me alivie...
Por vezes nem preciso passar por uma dessas ruas, basta passar por outra adjacente ou ter uma ligeira visão parcial de um edificio que me abandonou e o peso no peito começa a alastrar, e o vazio que me consome começa a tomar conta de mim.
E acabo por me lembrar como eram no seu intimo - os tempos que passei lá dentro ou os detalhes que lhes decorei enquanto estava cá fora a olhar para o interior imaginado desses edificios que me abandonaram. Agora apenas lhes vejo o cinzento, enleados em teias do tempo que me deixou para trás, como se nunca tivesse sido ali o meu lugar, como se nunca tivesse deixado ali um pouco de alegria. Como se o coração nunca quisesse guardar sitios e momentos a que pudesse chamar de seus...
Sem que eu desse por isso, algumas ruas desta cidade negam-me o ar... e lembro-me perfeitamente de todas as vezes que fui abandonado por esses lugares. Todos os olhares que tentam refugiar-se para não mostrar a dor que nos trespassa. Todas as lágrimas que lutamos por guardar bem fundo na insensibilidade que não conseguimos ter nesses momentos... Todas as razões infundadas que deveriam ser gritadas, na ansia de evitar um fim que se torna real à frente dos nossos inundados e impotentes olhos.
Lembro-me como se tivesse sido ontem...
Sem que eu desse por isso, abandonaste-me outra vez...quem sabe se para sempre...
Este texto tem algumas semanas. Apenas hoje o conclui e fiz as alterações que lhe achei melhor. Não quer dizer que esteja do meu total agrado, nem de perto, mas pronto, foi o que se arranjou...
Quarta-feira, Outubro 07, 2009
Disfarce
...ou "duas piadas idiotas (a condizer com o autor) para pensarem que eu ando feliz da vida"
Sexta-feira, Outubro 02, 2009
Cocoon-bound

Imagem de James Jordan.
Um dia as ásperas e coreáceas paredes deste casulo começarão a perder o seu vigor. Lentamente irão ganhar a tendência para ceder, até que chegará o momento em que a luz começará a entrar através do leve, frágil tecido - antigamente sólida parede que impedia o exterior de entrar…
As chuvas chegarão, tornarão essa parede ainda mais frágil ao ponto de parecer uma folha de papel vegetal…
Facilmente irei desfazer essa parede, abrirei um buraco na prisão que tanto tempo me manteve afastado de algo que se possa chamar de “vida” e pela qual atravessarei com uma exultação e um sentimento de antecipação, de quem espera aprender tudo como se uma criança fosse.
Lá fora, no exterior, alguns raios de sol se esquivarão às nuvens para me dar as boas vindas. A inicio estranharei a luz, ferir-me-ão os olhos, mas depressa se habituarão a esses golpes de claridade e clarividência.
Olharei em meu redor, esboçarei um ligeiro sorriso pleno de gratidão, alegria e um sentido de missão por cumprir.
E, nesse instante, abrirei os braços em redenção… para reparar que as asas não chegaram a nascer...
Sexta-feira, Setembro 04, 2009
[Samson]
uma lenda, apenas

Imagem de ~ Meredith ~.
Fiquei a conhecer o trabalho desta senhora através do blog do Markl há uns poucos anos. Admito que também ouvi pouco mais que esse primeiro álbum (que gosto bastante). Lembro-me também de um clip que vi no youtube em que ela canta uma música, enquanto toca piano com a mão esquerda e com a direita bate ritmadamente com uma baqueta numa cadeira… sim, numa cadeira. Pode parecer estranho, mas também gostei dessa canção.
Esta musica que aqui coloco agora apanhou-me desde a primeira vez que a ouvi. A primeira frase desarma-me, cada vez que a oiço. A melodia é excelente e é fácil deixar-me levar pela calma que se instala em mim… e sinto-me obrigado a ouvir mais uma vez, quando chega ao fim.
Já sei que cada um interpreta as coisas como bem lhe entende. Uns tiram de certos textos ideias completamente diferentes de outras pessoas. Não sei se a letra desta musica será um caso destes.
Para mim esta musica espelha a história de Sansão e Dalila, dita com a força de uma Dalila entregue aos sentimentos pelo seu Sansão, a contar a história do que realmente lhes aconteceu, em primeira mão, como se estivesse a escrever no seu diário pessoal… como se o seu diário pessoal estivesse a ser lido pela Regina Spektor.
Regina Spektor canta o seu espectacular Samson.
You are my sweetest downfall
I loved you first
Beneath the sheets of paper lies my truth
I have to go
Your hair was long when we first met
Samson went back to bed
Not much hair left on his head
Ate a slice of wonder bread and
Went right back to bed
And the history books forgot about us
And the bible didn't mention us
Not even once
You are my sweetest downfall
I loved you first
Beneath the stars came falling on our heads
But they're just old light
Your hair was long when we first met
Samson came to my bed
Told me that my hair was red
Told me i was beautiful and
Came into my bed
Oh i cut his hair myself one night
A pair of dull scissors in the yellow light
And he told me that i'd done alright
And kissed me till the morning light
Samson went back to bed
Not much hair left on his head
Ate a slice of wonder bread and
Went right back to bed
Oh we couldn't bring the columns down
Yeah we couldn't destroy a single one
And the history books forgot about us
And the bible didn't mention us
Not even once
You are my sweetest downfall
I loved you first
(Samson, Regina Spektor)
Etiquetas: musica
Quinta-feira, Setembro 03, 2009
Eu até nem queria gelado...
Quando não tenho nada de jeito para fazer, acabo por fazer das coisas mais inuteis que se possam lembrar.
E quando me dá para ter ideias à idiota, então é melhor sairem de perto.
Desta vez deu-me para isto: uma forma airosa de dar um "não"... (já sei, é demasiado rebuscada e "trabalhada" para se usar na vida real).
"Desculpa. Não leves a mal, mas o meu coração já tem dona… está é nos perdidos/achados, à espera que ela o venha reclamar."
Quarta-feira, Setembro 02, 2009
Why don't we share a silent tune...?

Imagem de Lady Vervaine.
Até consigo compreender que certas pessoas me evitem, também eu me evitaria, se pudesse. Mas deixa-me triste que, sem terem motivo nenhum para isso, me tratem com desdém e mostrem nos olhos uma raiva latente de quem quer arrancar-me a pele à força de cadeiradas, partir-me os ossos em mil pedaços irreconciliáveis e deixar-me a sangrar ao abandono num beco escuro qualquer…
Domingo, Agosto 23, 2009
Verdades universais ou nem tanto assim?
“Nas mulheres, curiosidade é um ímpeto vindo das virilhas...
...nos homens, TUDO é um ímpeto vindo das virilhas!”
Ideia lançada por um "sábio chinês", tirada de um filme que está a passar no MGM...
Terça-feira, Agosto 11, 2009
Worldspotting #4
Amanhã entro de férias por mais uns dias. Se tudo correr bem, quarta-feira de manhã estou a abalar para Sagres, onde vou ficar por uns dias... uma ténue tentativa de dispersar os pensamentos que me perseguem. Talvez com a nunca esquecida esperança de os expiar de vez...
Nunca me passou pela cabeça que esta segunda-feira fosse ser tão complicada. Sabia que havia uma forte probabilidade de se tornar algo dificil, mas nunca pensei que fosse ser assim tão dificil...
Depois de algumas semanas em que se tornou quase impossivel continuar a fingir um sorriso, a culminar nesta segunda-feira tão oposta à palavra "maravilhosa", estes poucos dias de férias longe disto tudo serão como uma brisa de ar fresco ... assim espero eu. Como diria uma amiga minha, espero vir de mente reciclada... ou então que venha apenas demente.
Mais uma foto tirada há semana e meia, numa das idas à Ilha do Farol (tal como a #1 e #3).
Nunca me passou pela cabeça que esta segunda-feira fosse ser tão complicada. Sabia que havia uma forte probabilidade de se tornar algo dificil, mas nunca pensei que fosse ser assim tão dificil...
Depois de algumas semanas em que se tornou quase impossivel continuar a fingir um sorriso, a culminar nesta segunda-feira tão oposta à palavra "maravilhosa", estes poucos dias de férias longe disto tudo serão como uma brisa de ar fresco ... assim espero eu. Como diria uma amiga minha, espero vir de mente reciclada... ou então que venha apenas demente.
Mais uma foto tirada há semana e meia, numa das idas à Ilha do Farol (tal como a #1 e #3).
Etiquetas: worldspotting
Sexta-feira, Agosto 07, 2009
Quinta-feira, Agosto 06, 2009
Worldspotting #2
Esta foto tem quase 3 anos. Nem me lembro se já a tinha postado aqui, mas cá vai à mesma...
Etiquetas: worldspotting
Terça-feira, Agosto 04, 2009
Worldspotting #1
A vontade de escrever não tem sido muita... não me sai nada de jeito, a não ser deitar-me ainda mais abaixo do que já sou. Por isso tenho decidido não escrever aqui...
Tenho tentado manter-me ocupado, e aproveitei uma ida à Ilha do Farol para tirar umas fotografias. Deixo então a primeira aqui, que capta o instante em que um avião se apronta para aterrar no Aeroporto de Faro, enquanto ao fundo se nota outro a levantar vôo.
Tirada a partir do barco de regresso da Ilha do Farol em direcção a Faro e ao fim da tarde...
Espero que seja do vosso agrado.
Tenho tentado manter-me ocupado, e aproveitei uma ida à Ilha do Farol para tirar umas fotografias. Deixo então a primeira aqui, que capta o instante em que um avião se apronta para aterrar no Aeroporto de Faro, enquanto ao fundo se nota outro a levantar vôo.
Tirada a partir do barco de regresso da Ilha do Farol em direcção a Faro e ao fim da tarde...
Espero que seja do vosso agrado.
Etiquetas: worldspotting



















