segunda-feira, abril 04, 2011

Ilações precipitadas (quando "precipitar" quer dizer "tornar em precipício")

Cada vez mais dou por mim a pensar se isto é real… desejando que, na realidade, o tempo tivesse parado algures no inicio da minha adolescência, numa manhã qualquer em que me encontrasse mais entorpecido pelo sono e ficasse parado em frente ao espelho a imaginar todos estes últimos anos (os bons e os maus momentos) em capítulos de um livro que viria a publicar no inicio da minha idade adulta. Num intervalo de dois minutos dedicados a ter a “cabeça na lua”, até ao momento em que a minha mãe berrasse comigo para que me despachasse ou me atrasaria para a escola…



Mas não.
Parece que é mesmo assim, nesta sociedade que nos ensina desde pequenos que a felicidade é atingível, que nos formata para a procurarmos incessantemente sem que o retorno seja minimamente satisfatório. Somos bombardeados constantemente com episódios que nos querem fazer crer que existe essa coisa da felicidade duradoira, do “e viveram felizes para todo o sempre, enquanto saíram em direcção ao pôr-do-sol a cantarolar alegremente”…


Depois chegamos a um ponto em que o desencanto se vai instalando, ao repararmos que afinal não era bem assim, que não era bem da forma que nos quiseram convencer. Mesmo assim continuamos na busca, ao ritmo em que o descontentamento vai alastrando e nos convencemos que afinal tudo aquilo que nos impingiram no passado não eram mais que mentiras cor-de-rosa para que nos deixássemos ficar submersos num estado de contentamento descontente – sem nunca se darem conta de que o efeito poderia ser precisamente o oposto. Até ao limite em que o desalento se torna insuportável, até ao momento em que concluímos que a felicidade não é eterna… que afinal de contas a felicidade é tão efémera como um pestanejar e tão rara como um arco-íris que se avista ao longe, rodeado de um céu cinzento repleto de nuvens.


Nunca explicaram o que fazer, quando se chega a esse extremo do espectro da realidade… e nesse ponto, o que se faz?


O que se faz, quando os arco-íris desaparecem para sempre…?




2 Comments:

Anonymous Ana M. said...

Vo cê devia escrever um livro: como se tornar um idiota em dez dias - que tal? (brincadeira)

05/04/2011, 02:05:00  
Blogger Montenegro said...

Como um bom idiota com muitas ideias que não interessam a ninguém, acho que arranjava-se um título melhor. :P

Por outro lado, para alguém se tornar num idiota às vezes é só uma questão de segundos, não precisa dez dias. :)

05/04/2011, 09:45:00  

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