quinta-feira, março 13, 2008

O desejo do sonho impossivel de sonhar



Fechei os olhos uma última vez…
Soube bem, mesmo de olhos cerrados, voltar a ver-te. Relembrar todos os pequenos detalhes que te fizeram sublime aos meus olhos, até ao ínfimo pormenor. Deverias estranhar, se te falasse que notei no pequeníssimo ponto negro que tens na mão direita, mesmo perto de onde começa o dedo indicador. Talvez te assustasse saber que recordo todos esses pequenos detalhes. Ou a maneira como a fina pulseira de fio preto que usas no pulso direito encontrou de se encostar à tua mão, como que pedindo uma carícia dos teus dedos, certamente sabendo da perfeição do teu toque.

Fechei os olhos uma última vez e lembrei-me…
…do tom dos teus cabelos lisos, nesse castanho claro, mesclado com madeixas alouradas, que faz com que o sol pareça brilhar com mais intensidade mesmo que seja um dia chuvoso, num céu coberto de nuvens cinzentas. Lembrei o som dos teus passos, que reconhecia, mesmo quando ainda vinhas bem longe, num corredor sobre o qual eu nem tinha visibilidade, e a ânsia que provocava em mim pensar que me pudesses dirigir uma palavra e eu – invariavelmente – não encontrar uma resposta à altura, que te deixasse presa a mim, que te fizesse lembrar de mim até ao dia seguinte.

Fechei os olhos uma última vez…
…e vi esses olhos que me deixaram apaixonado há muitos anos atrás. Ingénuo, ainda não sabia eu que voltarias a entrar no meu universo, passado tanto tempo. E de maneira tão retumbante, tão avassaladora. Noutros tempos não passavas de uma miragem longínqua que se sabe que fica longe demais… agora tornaste-te miragem demasiado presente, demasiado próxima que dá vontade de alcançar e nos lábios matar uma sede que se prolonga por demasiados desertos…

Fechei os olhos uma última vez, para sempre…
…porque agora sei que parte de mim sempre se recusou esquecer-te.




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