segunda-feira, março 03, 2008

E o paraíso aqui tão perto... e inalcançavel


Esta noite choveu.
De tal forma violenta que inundou todo o mundo conhecido e tudo se transformou num quadro surreal onde se podiam encontrar baleias nas estações de serviço, tubarões a patrulharem as estradas, cavalos-marinhos a jogarem xadrez contra búzios do mar num qualquer banco de jardim ou cardumes de sardinhas a atravessarem estradas pela passadeira como se de uma turma de crianças de um jardim-de-infância se tratassem. E toda a humanidade se desfizera, desaparecera submersa neste novo mundo submarino que invadira os outrora continentes resplandecentes de vida.

Esta noite choveu…
…de forma copiosa, como se o céu quisesse desabar sobre mim. Como se o céu me estivesse a castigar por tudo de mal que há ao cimo da terra… como se a culpa fosse minha. No entanto, ao amanhecer, tudo era seco, desértico, ermo poeirento onde os ventos conversam entre si sem que as pessoas os entendam. E as pessoas continuavam seus afazeres como se nada de estranho ou anormal se tivesse passado, nas suas vidinhas corriqueiras, plenas de rotinas. Os camiões nas estações de serviço a abastecerem-se, os carros da polícia a patrulharem as estradas, os idosos e reformados a jogarem suas partidas de xadrez na sombra de um qualquer banco de jardim ou as crianças a passarem a estrada em fila indiana, a caminho de mais uma visita a um museu.

E esta noite choveu copiosamente, nesta tempestade que me habita… destas nuvens negras que me toldam os olhos e a mente…

…esta noite choveu de dentro de mim. E só eu soube.




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