segunda-feira, outubro 02, 2006

Com um pouco de imaginação...


Nem me lembrava da ultima vez que o sol brilhara.
Passei tanto tempo na obscuridade, que a ausencia de linhas, formas e cores tornara-se coisa habitual, tida como normal. As pequenas sombras de tudo o que me rodeava deixaram de existir, porque o que existia agora era uma enorme sombra que encobria tudo. Anos e anos assim, no obscurantismo em que a minha mente obrigou os meus olhos a viverem.

De repente, um raio de luz minimo apareceu. Um pequeno traço milagroso de cor vindo da minuscula janela que abriste para a minha vida. E, aos poucos, esse traço de luz foi crescendo, invadindo aquilo que em tempos fora inerte, sem forma que se pudesse tocar ou definir, silente breu da escuridão. A enorme sombra foi-se dissipando em outras pequenas sombras. Nas sombras de todas as coisas que iam ganhando cor e vida, perante a luz que emanavas.

Foi como um violento mas extraordinário despertar para um maravilhoso mundo novo, que havia desaparecido havia muito tempo e do qual já nem me lembrava que podia existir. Procurei a porta para entrar nessa luz, não queria entrar pela janela sabendo que poderia ser interpretado como um acto de vilanagem. E vilão é coisa que nunca quis ser, principalmente à luz dos teus olhos. Mas a porta estava trancada e a mim nunca me foi facultada a chave para o teu coração.

A ideia de perder a tua luz e do meu mundo voltar à escuridão por tempos indeterminados, levou-me a trilhar caminhos insondaveis, colhido por um quase desespero que me toldava as ideias e que recusava-se a deixar-me pensar.
A total escuridão fazia de mim um cego. No entanto aquela luz cegava-me a mente... a tua luz cegava-me, e como eu adorava aquela cegueira.

Não precisava do meu mundo, nunca precisei. Nunca o quis. Queria e preferia aquele, que me iluminava, que me mostrava as maravilhas que há espalhadas pelo mundo real. Ao ponto de tentar saltar pela janela, depois de me ser negada a chave para a porta principal.
Juntei todas as minhas forças e dei o maior salto que me era possivel, com a maior das convicções de que não seria visto como o vilão em que me estava a tornar.

Mas no ultimo momento, no preciso espaço de tempo em que me preparava para conquistar o primeiro milimetro desse teu mundo, a janela fechou-se... e a escuridão voltou.

E sentei-me às escuras, feito cego em busca dos teus raios de luz... à espera dos teus raios de luz.




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