terça-feira, maio 23, 2006

Fricção cientrifuga


Era fim de tarde de domingo. Juvenal Joaquim seguia descontraído e descansado da vida pelo centro comercial. Sentia-se bem consigo próprio. A sua camisa amarela preferida da Triple Martell, as suas calças de fato de treino da Reemok mais o chinelo de marca Dike faziam-no sentir no paraíso. Nem se preocupava muito com o facto do seu filho, Asdrúbal Joel, fazer a cabeça em água à sua mulher, Jacinta Josefina. Sentia-se no paraíso.

De repente, e do meio do nada, salta um Fulano à sua frente e entorna meio litro de sangue de porco na sua camisa preferida.
- Qué essa me(piiiip), fo(piiip)??? Oh meu grande filho da p…
- Tenha calma, meu bom senhor – interrompeu Fulano, antes que o Juvenal conseguisse soltar qualquer impropério.
- Isto é para a gravação de um spot publicitário, a uma nova marca de lixívia, que está a ser lançada agora no mercado – continuou Fulano, enquanto eram rodeados pela câmara de filmar e todos os aparelhos de captura de som inerentes a tal acção.
- Veja como o nosso produto é revolucionário, e remove completamente as manchas até do sangue de porco alimentado a bolotas virgens das florestas negras do sul da Alemanha.

Passados uns minutos com a camisa de molho, Fulano retira-a e deparam-se todos com um cenário de autentico “branco mais branco não há”. Fulano faz um sorriso de orelha a orelha, enquanto mostra triunfante a camisa diante da câmara de filmar.

Juvenal ainda não acredita no que vê. Jacinta Josefina olhava com os olhos boquiabertos e a boca esbugalhada, qual hipopótamo quando abre a bocarra enorme e se prepara para abocanhar inadvertidamente mais um carregamento de fitoplanctôn.

- Mas…mas… a camisa está branca!!??? – disse Juvenal, o incrédulo.
Fulano respondeu de uma assentada:
- Imaculada, caro senhor! Nem o mínimo vestígio de sangue de porco! Não lhe disse?

Juvenal agarra-se aos colarinhos do Fulano, levantando-o 15 centímetros do chão.
- Mas a camisa era amarela!!!! – gritou para quem bem quis ouvir.

Fulano por sua vez grita pela polícia, que pouco ou nada demorou a chegar ao local.
Enquanto Juvenal se queixava ao polícia da cor da sua camisa, Fulano argumentava que a camisa era sua, sempre tinha sido branca e que aquele homem, de tronco nú, tentara sodomizá-lo em plena via publica.
Ao ouvir isto, o polícia volta-se para Fulano e pergunta:
- Tem alguma forma de provar que essa blusa é mesmo sua?

Fulano parou durante 27 centésimas de segundo, parecia petrificado. Fez-se um silêncio sepulcral à espera de uma resposta.
De repente ouve-se um leve, mas audível “rrraaaasssggghhhh” que ecoou pelo centro comercial todo, de lés a lés.
Fulano, que tinha a camisa atrás das costas, cora ligeiramente e, enquanto suava mais que um cabrito em lista de espera para o matadouro, diz baixinho:
- Tenho sim… a camisa tem um pequeno buraquinho…
E mostra a camisa, com um enorme rasgo de cima a baixo…
Juvenal é preso por atentado ao pudor e em tribunal é sentenciado a 4 anos e meio de prisão efectiva, mais 6 anos de tratamento psiquiátrico…

Moral da história: nem sempre quem te rasga a roupa é por querer fazer amor contigo… às vezes é mesmo só para te f….





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