quinta-feira, julho 06, 2006

Os tempos que correm


Detesto o tempo - a concepção temporal da palavra, não a meteorológica.
Nunca está do nosso lado, mas sempre contra nós.
Cada segundo que passa sabe a desperdício.

Nunca é o “tempo certo”, é sempre altura de esperar por um “tempo” melhor para se fazer ou dizer certas coisas. Nunca é a ocasião melhor. Nunca é o tempo certo.
E cada dia que fica para trás parece um dia perdido em vão.

E esta espera é de dar com uma pessoa em louca. Dar tempo ao tempo, esperar que o tempo passe para que chegue a altura certa. E aí sim, poder-se tentar alguma coisa.
E em cada semana que passa sente-se cada vez mais o peso da vida que se arrasta.

O mais engraçado (ou nem por isso) é fazer-se a espera, aqui neste cantinho, sem chatear ninguém - ou, pelo menos, tentando não chatear ninguém – talvez arrancar um ou outro sorriso furtivo, sem segunda intenção (pelo menos, conscientemente) e de repente reparar que o tal tempo de espera acabou, e que a tal janela de oportunidade pela qual tanto se esperou, passou por nós sem nos ser dada hipótese de reagir.
E em cada mês perde-se uma eternidade.

Reparar que somos “ultrapassados”, sem nunca termos estado na linha de partida para o que quer que fosse… há quem lhe chame acordar para a vida. Eu prefiro chamar mais uma chapada de luva branca.
… e pode (vai) acontecer a qualquer momento, mais tarde ou mais cedo.
E cada ano esvai-se da mesma forma que o anterior, a deambular por ruas e ruelas obscuras e frias, aquecido pela solidão que me envolve como um manto.




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