terça-feira, setembro 05, 2006

Andando por aí

Voltei.
Foi quase uma semana longe daquilo a que me habituei a ver como o meu cantinho no mundo, que engloba todos os passos que normalmente dou, os lugares por onde normalmente me arrasto. Tudo e todos (ou quase todos) que normalmente me rodeiam.
Acabou por ser mais um retiro.
Podia escrever sobre muitas coisas que me passaram pela cabeça, nestes dias. Muitos textos vão-se perder na imensidão de papeis que não vou mostrar a ninguém. Ou simplesmente morrerão nas ideias que me recusei a colocar em papel, não por falta de oportunidade, mas por vontade de me esquivar deles.
Alguns desses pensamentos vou ter colocar no fundo de uma gaveta minúscula, bem escondida na minha mente, e trancá-la talvez para sempre.
Pequenos detalhes que faziam muita diferença. Estar presente, ouvir conversar, poder admirar sem sentimentos de culpa. Deixar apenas o desejo tomar conta de mim, a adrenalina a percorrer ao cimo da minha existencia e eu ficar ali, a sonhar como poderia ter sido a criação de um novo mundo maravilhoso... Para o fundo de uma gaveta, bem escondida de todos, até de mim.


Aproveitei estes dias para respirar. Estava a precisar afastar-me de tudo e foi o que fiz (porque afinal até era assim que certas pessoas preferiam, apesar de dizerem o contrário).
Outros lugares, outras gentes, outras visões sobre tantas coisas... outras maneiras de viver, com as quais raramente me consegui entender e que agora talvez façam mais sentido do que nunca. Não aguentaria esta maneira de viver por muito mais, seria uma questão de pouco tempo até rebentar pelas costuras. Mas fugir à monotonia derrotista de uma guerra perdida, numa sequencia de batalhas que nunca se chegaram a travar, faz sempre bem. Faz bem pensar que existe um outro mundo lá fora, lá longe onde tudo acaba por parecer melhor mesmo que não o seja, por muito mau que possa ser este em que me vou extinguindo. Lá longe, onde se pode mergulhar por uns tempos no anonimato de caras que nunca se viram, encher a mente com outras preocupações e com outras ideias e imagens... ou pelo menos tentar.


Sem qualquer tipo de razão ideológica ou política, fui ao Avante. Foi onde estive, durante estes dias. Não foi a primeira vez que lá fui. Calor infernal sempre a marcar presença. Conheci gente muito interessante, alguns que já conhecia de vista, outros com quem nunca me tinha cruzado. Nada como fazer cair por terra ideias pré-concebidas, quando se trata de ter surpresas agradaveis.
Como nota negativa, fica mesmo a parte do acampamento. Sem organização consentânea com o tamanho do evento. E a falta de civismo e respeito pelos outros, principalmente por parte das gerações mais novas, talvez na faixa etária dos 15-19 anos. Coisa que, infelizmente, noto cada vez mais.
De qualquer modo, aconselho toda a gente a, pelo menos uma vez na vida, irem assistir à ultima Carvalhesa do Avante, de preferencia de um sitio onde se consiga ver grande parte do espaço circundante ao palco principal. É dificil encontrar muitos momentos assim de alegria generalizada a toda a gente. E que espectáculo que é ver as pessoas a exteriorizarem essa alegria sem pensar em mais nada.

Nota: queria também deixar aqui um agradecimento para quem me aturou nestes dias. Foram uns dias mal dormidos mas bem passados.




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