segunda-feira, agosto 28, 2006

Insonso... as always


Se disser que os rios correm para a nascente, sou louco? Então e se disser que a foz do rio é onde nasce o mar... assim já tenho mais razão? Já deixo de ser tão louco?
Não quero. Não quero deixar de ser louco, se é isso que me permite ver o meu mundo como sempre o vi. Se é essa loucura que me permite ver belezas que se encontram escondidas ou que as outras pessoas normalmente não se dão ao trabalho de ver ou valorizar. Preciso dessa loucura, essa sensação de segurança, a garantia de que não tenho estado enganado este tempo todo.
Quero mais. Quero mais loucuras. Loucuras vindas dessa insanidade profunda que ilumina os predestinados.
Se ao menos eu fosse um...
...gostava de ser um.

Se dissesse que não choro há nem sei quantos dias... o caso talvez mudásse de figura. Mas quem me viu as lágrimas para me contradizer? Ninguém. Posso não chorar há meses, ou então choro por dentro, como faço tantas vezes ao dia. Choro por dentro, tantas vezes ao dia. Tantas que perco-lhe a conta. Tantas que já desisti de contar. Chorar por dentro ajuda a não se ficar empedernido, seco de emoções.


Na insuportavel pertinencia do que é estéril de conteúdo, procuram-se respostas para o que é insolucionavel. Corrompemo-nos na nossa própria teimosia de querer agarrar tudo num momento, tudo o que nos é dado e mais ainda – tudo o que queremos guardar sem ser nosso. E perdemos a razão e já nem sabemos porque começámos a lutar...
Afinal somos todos ladrões e quem não o é gostaria de ser. Ladrões de sentimentos ou de momentos alheios. E queremos tomá-los como se fossem nossos. Nunca foram e mesmo que se consiga prender alguns, nunca serão verdadeiramente nossos, porque o destinatário era outra pessoa por mais que nos tentemos enganar a nós próprios.

Hei-de escalar um céu só meu, onde os castelos têm a forma da luz. Onde os caminhos tropeçem nos degraus de uma escada decadente imaginada nesse instante, e as entranhas gritem do fundo das suas raízes um hino qualquer ao mais perfeito dos desamores inconsequentes que alguma vez se fez ver.
E - sentindo-me rei do meu mais pequeno mundo - olhando de lá de cima cá para baixo o mundo não seja mais que o esqueleto, prestes a ruir, de uma singela cabana de madeira consumida pelas chamas desse incêndio de desamores.

Queria ser caleidoscópio com vida.





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