sábado, fevereiro 28, 2009

Dados viciados




Vícios


Poucos entenderão porque escolhi,
nos últimos segundos que me sobram,
dizer que tenho mais um vício.
Um vício encorpado em ti,
com teu nome enfeitado a rosas
encarnadas de paixão inconsequente.

Todas as semanas faço-me nascer,
ergo-me num novo ciclo,
em que me renovo,
em que me encho de força
e sinto que nada me pode deitar abaixo,
porque a minha força de vontade
vai prevalecer e nada me atinge.
Como se coisa alguma neste mundo
me pudesse ferir ou mesmo atingir.
Fossem gigantes, monstros ou sereias,
a minha hercúlea batalha seria vencida
- não pela cega e incerta força bruta,
mas pelo poder que tenho sobre mim,
que a minha força de vontade me dá.

Depois…
depois tu passas demasiado perto,
teus passos trilham desejos em mim,
teu cheiro invade o meu corpo,
teu olhar queima-me por dentro,
tua voz distante mata-me...
mata-me só um pouco mais e outra vez...
e eu, pobre indefeso ser, desmorono…
como um frágil castelo de cartas
que na realidade nunca deixei de ser.

E todo o tempo que demora
o resto da semana a passar
é apenas um lento e sôfrego corpo
que se arrasta moribundo,
com o crescente definhar
dos restos de uma força de vontade
que nunca foi mais que efémera miragem.
E mais não sou que um mero escravo
condenado aos caprichos
deste vício em mim que és tu.


................Nelson Gonçalves (27/2/2009)




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