terça-feira, julho 31, 2007

Sombras ensombradas


A sombra derrete-me... com uma vontade avassalador de conquistar um mar de sol. Um mar de sol que atravessa a rua de um lado ao outro, com excepção deste pequeno ponto em que me encontro, mas queimando tudo em seu redor.

Ao fundo... a tua janela, uma e outra vez, sempre a mostrar-se a mim, quando passo por aqui. E agora reparo que há mais janelas abertas na tua casa. Em pleno dia, como que a dizer “entrem e que tomem o que me pertence, este coração que teima em me enganar" para se entregar a alguem. Porém recusas-te a fazer-me pessoa e aqui fico, guardião de sombras alheias.

À flor mais linda que pude encontrar, embelezei-a com um colar de fotografias tuas. Maquilhei-a com as tuas feições e chamei-lhe mãe-natureza. Reguei-a com mil beijos e lancei-a ao mundo, para que fizesse florescer um novo planeta, no lugar deste, que lentamente se consumia.

Já te perdi, amor... e nem te vi.
Tornei-me sombra sem espelhos e pedaço de escuridão sem olhos.
Vazio de ti... de mim... do mundo.




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